O que é uma pena, porque se eu já o tivesse feito com certeza teria uma história bem interessante pra contar agora.
Como podem supor, terminei de ler "Paixão Segundo GH". Para os perdidos, comecei a ler esse livro porque fiz um teste, destes bestas que a gente faz na internet, mas que não era tão besta assim, que dava como resultado que livro você seria caso você fosse um livro. E o meu resultado foi o tal. Amei a descrição que me foi feita, então resolvi comprar e ler. Para os (perdidos)², Paixão Segundo GH conta a história de GH, que resumidamente: demite a empregada, vai fazer uma faxina, encontra uma barata. Mata a barata. Resolve comer a barata.
É isso. Uma história que poderia ser contada em um parágrafo, mas que tem toda a graça e a preciosidade dada por Clarice Linspector, e que por isso dá um livro. E é um ótimo livro se querem saber.
Só tenho dois comentários a fazer.
Primeiro, este é o primeiro livro que eu já vi em que o final não é o que importa. Todo mundo sabe que ela vai comer a barata. E isso não tira a graça nenhuma da coisa. Aliás, deixa a gente na expectativa, até as páginas finais, sobre quando o grande banquete começará. Ah, e vale lembrar que na própria contracapa, sabe onde escrevem uma resenha do livro pra interessar o leitor?, está escrito que ela vai comer a barata. Fantástico. É que o rico (ia dizer barato, mas acho que a palavra tá muito usada rssss) do livro são as reflexões. Quero dizer, os pensamentos malucos da mulher que vão levando-a a fazer aquilo.
Segundo: tá, este livro pode mesmo dizer algumas coisas sobre mim. Nunca tinha pensado em comer uma barata, mas já pensei em lamber privada (nunca o fiz!!!) em alguns momentos estranhos ou em pular da moto andando (não um pensamento suicida, acalmem-se, é só pra saber o que aconteceria). O que eu quero dizer é que alguns pensamentos esquisitos passam pela minha cabeça. Então se eu chegasse num amigo, próximo e não só uma dessas pessoas pra quem eu falo "oi" no meu dia-a-dia, e contasse que eu comi uma barata, acredito que ele nem se surpreenderia com a revelação. Maaaaaaaas se surpreenderia muito se eu não descrevesse minuciosamente a textura da barata!! E taí a grande falha do livro. O gosto da barata não é descrito. Nem é dito se a casquinha da barata entra e fica fincada na gengiva que nem casquinha de milho de pipoca. Aliás, essa história da barata no livro é até meio decepcionante. A muher não come a barata mesmo. Ela não pega a barata, põe na boca e mastiga. Ela só passa o dedo na gosma branca da barata e lambe o dedo. Tem graça? Podia pelo menos ter lambido diretamente da barata né...
Então, se esse fosse um blog destes com milhões de seguidores e comentários eu até proporia uma enquete dando um brinde pro mais criativo: Pra você, como é a textura/gosto de uma barata? Não vale falar que é igual de camarão hem...
Quero falar um pouco sobre "A Baleia"
Há 2 anos